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28 de abril de 2017

LINDÍSSIMO RELATO DE COOPERAÇÃO ENTRE HUMANIDADE, DEVAS, E DEMAIS SERES DE LUZ




Palestra Dr.ª Besant no Queen's Hall, 1925



Pode-se imaginar que o Queen’s Hall em Londres deva ser um lugar ideal para o trabalho especial que a Drª. Besant desenvolve dentro de seu recinto. O fato de por tantos anos estar sendo usado continuamente para concertos onde apenas a melhor música é executada é em si suficiente para ter gerado uma atmosfera de harmonia e beleza, e ter estabelecido uma elevada frequência de vibração em suas imediações mental e astral. Além do mais, se lembrarmos que cada átomo físico de suas paredes e mobília tem sido impregnado, anos após ano, com a mais completa regularidade, com a vibração desta música, perceberemos que todo o lugar e tudo em seu interior estão altamente carregados; além disso, a Administradora o tem usado repetidamente para sua grande série de palestras, enchendo-o com seu poderoso magnetismo e com a imensa força dos Mestres de quem ela é representante.

A barra niquelada onde ela descansa suas mãos deve estar magnetizada para sempre, de modo que quem quer que fique ali, seja para falar, cantar ou reger, deve ser afetado beneficamente.

Cerca de um quarto de hora antes de iniciar a palestra a atmosfera do salão subitamente se torna elétrica; percebe-se uma mudança e certa tensão nas condições físicas; sente-se como se fosse uma sala que foi submetida a uma poderosa e contínua ionização. De início eu atribuí este efeito ao sentimento geral de expectativa e à rápida lotação da sala, mas uma tentativa de investigar mais fundo levou-me à conclusão de que isso se deve a duas causas. Uma é que uma poderosa e concentrada atenção é voltada para o encontro pelos Grandes Seres que, sabendo que um membro e representante da Fraternidade está prestes a usá-la para incremento do trabalho em que estão engajados, voltam sua atenção sobre o cenário do trabalho dela e assim criam nos mundos interiores uma atmosfera na qual podem ser obtidos os melhores resultados.



A outra causa é a chegada e atividade de certos devas, que aparecem neste momento e assumem seus postos, alguns alto no ar acima do auditório e outros em diferentes locais em seu interior.

À medida que a palestra prossegue todo o salão se torna gradualmente envolto em um fulgurante globo de luz; de fora ele parece como uma imensa bolha iridescente, que por fim se enche de luz e cor e assume o aspecto de uma esfera luminosa sólida. Do centro se derrama em todas as direções continuamente uma corrente de luz opalina, uma fonte de poder, que emerge continuamente de dentro da esfera. Na verdade isso gera um murmúrio como se fosse um motor, dando origem a uma aparentemente inexaurível corrente de força que atinge até a circunferência da esfera, enchendo-a com um infinito número de finas linhas, de modo que se a seccionássemos ela pareceria como uma grande roda, sólida do eixo ao aro, porque os raios são dispostos extremamente próximos.

O poder parece irresistível, sobrepujando todas as outras influências diante de si, e magnetizando completamente tudo o que encontra em seu caminho.

É produzido um efeito cromático opalescente, onde cada cor do espectro rebrilha e lampeja em tons delicados, à medida que a força emana. Toda a audiência é intimamente envolvida neste globo de luz, e cada aura e cada consciência são iluminadas pelo contato.

Este poder irradiante gradualmente aumenta seu alcance à medida que a palestra avança, primeiro englobando as primeiras filas da orquestra e platéia, e depois rapidamente alcançando as paredes externas do salão. Isso leva cerca de vinte minutos, quando parece ter lugar uma consolidação na esfera que, a princípio, era preenchida de luz e cor de modo irregular, mas agora começa a se tornar sólida.
Este processo encontra resistência aqui e ali em alguns indivíduos dispersos pela sala; pois embora pudesse parecer que toda a audiência seria levada a gradualmente sintonizar com o tema principal da palestrante, de fato isto está longe de ser o caso.

Alguns – tendo consciência tanto de um poder que os inclui em sua radiação e parece influenciar o intelecto, e de uma simpatia e entendimento que os atrai mesmo contra sua vontade – tentam se proteger desta influência. A princípio a força flui em torno destas pessoas, e então, depois que a esfera foi delimitada e começa a ser preenchida, começa a percutir em suas auras, gradualmente elevando seu tom – embora, é claro, muito mais lentamente do que no caso dos que respondem mais rápido.

Todos os membros da audiência são abençoados e elevados como resultado de sua presença na palestra. O efeito, é claro, varia, mas aqueles que querem e são capazes de responder, aqueles cujos corações já estão cheios de amor e veneração pela figura encanecida de quem provém todo este imenso poder são, literalmente, iluminados em toda sua natureza. Auras indolentes são despertadas, crostas de hábitos e preconceitos começam a rachar, até que, finalmente, em muitíssimos casos, todo o ser vibra em sintonia com a força emanante, sendo a aura afinada até que brilhe com um reflexo da luz que irradia de sua presença.

Além disso, cada uma das doze pessoas que sentam de ambos os lados de sua líder na plataforma faz sua contribuição especial ao trabalho que está sendo feito. Isto aparece, para meu ponto de vista, como se fosse uma corrente de cor fluindo de cada um, por exemplo, é visto um profundo e rico azul-safira através jorrar da esfera – um vermelho régio, um suave azul celeste, um formoso amarelo – pois cada figura brilha com a cor de seu próprio temperamento e raio.
A diferença de raio também se mostra de outras formas; pois aquele cuja natureza seja trabalhar ao longo de linhas científicas acrescenta à grande corrente projetando em diferentes partes da sala, e em direção a pessoas particulares, correntes especialmente dirigidas.

Da cabeça da oradora emanam ondas após ondas de luz amarela dourada, e através dela raios e fulgores de luz mais intensa lampejam continuamente. Isto é seguido pela expressão física de uma ideia.

Um outro resultado da palestra, nos planos internos, é a construção gradual de uma forma astro-mental simétrica – a forma-pensamento do pronunciamento como um todo; ela me parece muito como um castelo construído quadrangularmente, elevando-se andar após andar, desde o sólido alicerce sobre o qual se erguem sempre as suas prédicas; suas paredes brancas são banhadas de uma cor como a brilhosa luz solar dourada de alguma terra tropical. Esta forma se eleva gradualmente a partir do nível de seus ombros, crescendo lentamente à medida que ela prossegue, até que seu teto ou telhado plano chega muito mais alto do que o forro do salão, passando para fora no ar acima; ele é notavelmente bem definido, e seu aspecto de castelo é aumentado pela presença de muitas janelas oblongas, todas mostrando cores diferentes, como seu uma lâmpada interna projetasse as variadas cores do espectro. Cada uma destas janelas corresponde a uma ideia, a um conjunto de fatos, ou a alguma ilustração usada durante o progresso da palestra.
Quando o pronunciamento encerra, a conexão entre esta forma-pensamento e sua criadora se rompe, e a forma se eleva alto nos céus e ali flutua, uma imagem de deslumbrante beleza, um reservatório de poder, um tesouro de ideias.



A audiência invisível (desencarnados) é muito mais numerosa do que a visível; multidões de homens e mulheres desencarnados pairam em torno do grande salão ouvindo a fala e banhando-se no seu magnetismo estimulante, chamados de toda parte pela demonstração de poder e luz, cujo brilho é visível desde quilômetros de distância no mundo astral e atrai seus habitantes até o local.

Outras ajudantes, também, ficam perto da oradora, figuras augustas e majestosas, fazendo uso da ocasião de tamanha reunião e da força disponível pela concentração de tantos seguidores e companheiros de trabalho.

Como falei antes, a hierarquia dévica está representada em plena medida, com membros de sua raça auxiliando o trabalho; alguns permanecem por fora da esfera, como sentinelas angélicas dispostas contra as paredes que há por trás dos três andares de poltronas; eles conservam o poder, e alguns deles, depois que a forma foi firmemente estabelecida, voltam sua atenção para as pessoas, tanto as visíveis como as invisíveis, e começam a atuar definidamente nelas e através delas.

Como sou muito interessado e atraído para os devas, vejo-me respondendo muito prontamente aos seus apelos. Seu toque é sempre uma fonte de alegria para mim, assim como  é a radiosa beleza de seu sorriso de reconhecimento e agradecimento.

No início da palestra, pensei ter visto um deva em cada porta da galeria onde eu sentei, e antes, enquanto eu estava servindo como auxiliar, pareceu-me que eles exerciam uma força sobre cada pessoa que entrava, algumas vezes tocando-a diretamente, às vezes usando os auxiliares como canais, para os mesmos fins.

Com todo este esplendor no mundo invisível, poderíamos pensar que o limite de beleza e poder havia sido alcançado, mas à medida que cada grande verdade era proferida, cada bela ideia era apresentada, cada apelo especial era feito – a voz dourada ainda se aprofundando e fortalecendo-se com a intensa seriedade da mestra – resplandecia um fluxo de poder adicional; literalmente labaredas de luz cegante fulguravam nestes momentos, quando a maior oradora do mundo exercia o pleno poder daquela arte da qual ela é mestra de modo tão consumado.

À medida que o tempo passava como se tivesse asas, cada ouvido encantando-se com a magia daquela voz de beleza transcendente, o brilho da esfera de luz aumentava, até que sua radiância quase cegou meu olho interior, e nem seu esplendor diminuiu até que, enfim, a palestra terminasse e víssemos a figura vestida de branco voltando-se, deixando a plataforma, e curvando-se para agradecer o aplauso com que a mensagem foi recebida.

Não nos foi negada a alegria de ajudar em tudo isto. Há muitas maneiras em que podemos cooperar.

Há muito trabalho a ser feito de antemão, e no próprio momento, e muitos auxiliares são necessários em tão grande salão. Aqueles que não são requisitados por seu trabalho físico podem ajudar espiritualmente, chegando muito antes de a palestra começar e meditando com toda a sua força sobre o tema, tentando compreender seus aspectos espirituais mais profundos e trazê-los até o nível do entendimento geral.

Aqueles que conhecem algo do trabalho a ser feito, enquanto a estrutura de pensamento ainda está no prédio, auxiliam as pessoas mais próximas a se reajustarem ao seu ambiente altamente carregado, criando assim uma atmosfera receptiva, e aliviando um pouco – por menos que seja – o fardo de nossa amada líder. Quando a tranquilidade e receptividade estão plenamente estabelecidas, podemos ser usados para focalizar a força derramada aqui e ali pela sala, ou para canalizar as forças de bênção que os Devas e os Grandes Seres espargem sobre as pessoas reunidas e sobre a região adjacente.


Fonte: Livro original: Fairies at Work and at Play.
Tradução: O Reino Das Fadas – Geoffrey Hodson - Primeira Edição em 1927 - The Theosophical Publishing House - (Londres).

Mais sobre Annie Besant você encontra no link abaixo:


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Lindíssimo relato por Geoffrey Hodson sobre uma palestra da Drª Annie Besant que ocorreu no Queen’s Hall, Inglaterra, em 1925, devido à variedade de palestras ministradas não consegui localizar a que foi descrita acima.

É importante ressaltar que o ocorrido descrito por Geoffrey pode acontecer com várias outras palestras /concertos ao redor do mundo desde que sejam proferidas palavras de Luz, Sabedoria, Amor, Compreensão, Verdade, em comunhão plena com os sentimentos que vem do coração, todas as palestras e discursos independente do nível ou quantidade de pessoas é sempre iluminada e protegida, o relato acima nos exemplifica uma linda visão (e alguns casos audição) de uma das várias possibilidades do que pode ocorrer espiritualmente quando estamos unidos em Verdade e Luz em cooperação com as Egrégoras de Amor em Unidade.

Bênçãos!

Namastê!



27 de abril de 2017

EXEMPLO DE COOPERAÇÃO ENTRE A HUMANIDADE E OS DEVAS - SILFOS



Purificando a atmosfera de uma cidade


Cotswolds


26 de agosto de 1926


Diante de nós se estende uma ampla paisagem por 50 a 65 km até as distantes montanhas de Gales; por trás e acima das montanhas o sol se põe em um fulgor dourado. Os campos celestes são povoados com incontável número de silfos, voando como grandes gaivotas de corpo humano através do céu. Um “exército” de silfos está concentrado acima da cidade que é visível a cerca de 13 ou 15 km de distância, com sua antiga torre da catedral elevando-se altaneira em sua atmosfera fumacenta. A aura astral da cidade se assemelha a uma grande bolha, como se soprada de baixo para cima; ela envolve a cidade até cerca de 350 metros no ar acima; no interior sua atmosfera astral é escura, e sua cor se escurece ainda mais à medida que se aproxima do chão; pesadas nuvens de marrom se mesclam com listras de vermelho fosco e verde escuro, em alguns lugares como manchas que flutuam frouxas, em outros são concentradas e fixas. Todos os tons mais refinados e agradáveis sobem ao topo, criando um falso céu, uma espécie de abóbada de azul, rosa e verde-maçã.

Da catedral jorra para o ar uma fonte de luz e poder; dela também brilha luz para as vizinhanças. Os silfos trabalham nos estratos inferiores, no nível das casas, o qual é escuro por todas as ruas. Estes seres radiantes de luz e beleza, de pura brancura e aérea vitalidade, mergulham através da bolha, até dentro dos escuros pântanos de egoísmo e vício. Sua presença os agita e força a circular, e então eles carregam a matéria grosseira em suas auras, todos sujos e emporcalhados, até alto no ar, subindo com lentidão como se sofrendo; voam alto, alto, até a periferia, gradualmente expandindo suas asas áuricas e dissipando o lodo pantanoso e asfixiante.

Observando um deles parado na atmosfera, dissipando a névoa escura, vejo-o meditar: ele passa a um êxtase, sua face brilha em júbilo através da sombra do fardo que ele carrega; então ele atrai poder de cima, que desce por sua cabeça e perpassa todo o seu corpo com sua eletricidade; o poder energizante é tão grande que revitaliza sua aura, de modo que o jogo de suas forças é estimulado e as correntes de poder áurico gradualmente recuperam seu vívido fluxo do centro para fora, dispersando no espaço o mal astral que voluntariamente absorveu.

Cotswolds - England

Deste modo eles trabalham, em centenas, lembrando-me os mineiros que descem no túnel de onde emergem sujos e escurecidos; deste modo os silfos clareiam a atmosfera astral da antiga cidade, literalmente varrendo suas ruas e casas; em certas áreas onde eles tiveram algum sucesso, eles liberam e dirigem correntes de energia nos lugares escuros, como bombeiros abrindo as mangueiras contra o fogo.

Presidindo sobre eles em seu trabalho está o Gênio desta grande planície (um Deva Superior), um Deus angélico de uma forma humana titânica. Sua presença e poder se imprimem sobre toda a região que ele governa. Ele próprio é visível no plano mental, com sua face impassível, divinal em sua calma, majestosa e completamente serena.

Autoridade e estabilidade o caracterizam. Sob suas ordens trabalham seus “súditos” aéreos, os radiantes silfos de “pés silenciosos”. Um vasto exército, como vimos, trabalha pelos homens na aldeia, na vila e na cidade; outros o fazem pelo reino vegetal que embeleza a planície, enquanto que ainda outros são vistos brincando em jogos aeronáuticos angélicos, rodopiando, ondulando e disparando através do céu.



Fonte: Livro original: Fairies at Work and at Play. Tradução: O Reino Das Fadas – Geoffrey Hodson - Primeira Edição em 1927 - The Theosophical Publishing House - (Londres).

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Lindíssimo relato através da mediunidade de Geoffrey, vemos o quão importante é o trabalho desses seres conhecidos como Silfos e o Deva que dirige suas atividades, é interessante ressaltar que a Bondade Divina sempre encontra uma forma de nos demonstrar Amor, Misericórdia, Perdão, Compaixão, Evolução e Fraternidade. Imensa Gratidão a todos esses amados seres por vossos trabalhos de Luz.

Bênçãos!

Namastê!


24 de abril de 2017

A FADA DISCÍPULO E O DEVA INSTRUTOR



Em Cotswolds


7 de agosto de 1925



Tenho estado muito interessado em observar um espírito da natureza que nos tem submetido ao mesmo tipo de escrutinização (exame minucioso) que estamos acostumados a fazer sobre seu povo.

Ela é um deva não-individualizado, em um estágio entre a fada e o silfo, possuindo algumas características de ambos.

Embora ela primeiro aparecesse como que caminhando através da floresta densa, e ainda agora esteja pairando entre os topos dos pinheiros que olhamos, ela não parece estar associada definitivamente com as árvores, certamente não está ligada, para fins de trabalho, com nenhuma árvore ou grupo delas. Imagino que ela seja uma fada de flores que esteja passando adiante para uma vida aérea como a dos silfos, e que o tempo de sua individualização esteja chegando rapidamente. Seu corpo é composto da matéria dos sub planos superiores do astral, muito fina, tênue e bela. A forma e maneiras verdadeiras são as de uma vivaz colegial. Neste momento sua aura se parece muito com nuvens semoventes de cor, através das quais passam continuamente ondas e tremulações de luz em intervalos regulares. Ela já tem uma estabilidade bem maior do que a possuída pelas fadas comuns, e evidentemente é capaz de permanecer relativamente imóvel no ar por um longo período de tempo. Ela vê nossos duplos astro-mentais muito claramente, mas ela precisa de alguma concentração maior para ver nossa forma física, e mesmo então sua visão é bem vaga.

Tentando contatar sua consciência, percebo que ela vê principalmente o duplo astral de todos os objetos do plano físico; uma árvore, por exemplo, aparece para ela como uma escura forma central, que corresponde à forma física, interpenetrada e rodeada de uma pálida luz cinza, que eu presumo ser o duplo-etérico, rodeado por sua vez de uma aura astral violeta, que se estende cerca de 15 cm para além da forma física. Para ela, cada árvore é como um motor, dentro e através do qual a força flui do plano astral, vivificando-a e iluminando-a, mantendo-a viva, no seu ponto de vista; e, é claro, ela está certa; pois sem isso ela não poderia viver. Para ela é como se a árvore estivesse desempenhando, em grau muito maior, uma função similar àquela que atribuímos ao átomo físico. Ela vê na raiz da árvore, logo abaixo no nível do solo, um vórtice dourado de energia, onde a força entra do plano astral, e do qual ela passa para todo o corpo da árvore. Ela não parece saber nada dos processos físicos; de qualquer modo, ela não está interessada neles, estando firmemente convencida de que são secundários em relação aos astrais, e relativamente sem importância. Se eu pudesse colocar suas ideias em nossa linguagem - ela rejeitou minhas referências aos processos físicos dizendo: "É o fluxo de forças vitais que importa". Ela diz que sabe sobre os processos do plano físico mais do que nós, de fato, sabemos sobre o seu lado da vida.

Agora ela está tentando entender o que a posse de uma forma física significa para nós, e o que significaria para ela. Ela exerce uma influência "atrativa" sobre mim, como se tentasse saber se poderia deslocar meu corpo. Assim ela atrai e puxa a frente dos meus corpos astral e mental até que toquem os seus - estando ela a uns doze metros de distância - mas ela poderia tentar quanto quisesse, pois não pode exercer nenhuma impressão real sobre o corpo físico denso. 

Sua consciência, em relação ao movimento, é completamente preenchida com a ideia de resposta instantânea que a matéria dos planos mais sutis sempre dá a um ato da vontade; de fato, isto ocorre muito mais no deva do que no humano, pois a matéria de seus corpos sutis parece ser mais vitalizada e elétrica do que a dos nossos. Ela descobriu isso tocando minha aura, que lhe pareceu pesada. Ela mantém uma porção dela em contato consigo mesma, e a examina como faríamos com uma peça de tecido. Tentando unir nossas mentes em alguma extensão, consegui fazer com que ela sentisse a inércia do corpo físico. Ela é muito maior para a sua consciência do que para a minha; para ela a sensação é como a que teríamos se tivéssemos um corpo de chumbo.

Agora ela está se agitando no etérico tentando produzir movimento, e estou ajudando-a a manter um contato com o corpo físico denso tão próximo quanto possível. Por um momento ela sente uma angústia de pânico, e então uma sensação de estar sendo enterrada viva, de desesperado aprisionamento; ela faz enormes esforços para elevar o corpo físico no ar, e isto tem o efeito de esticar o duplo-etérico do corpo e enchê-lo de luz; também faz o físico sentir-se um pouco mais leve, produzindo a curiosa consciência, que se tem às vezes em sonho, de que apenas um pouquinho mais de esforço nos faria flutuar. Neste contato muito íntimo com ela me parece estar como que afrouxando a associação com meu corpo e perdendo a coesão de seus átomos. Eu pensaria que um poderoso deva individualizado poderia transmutar o corpo físico em uma espécie de contraparte astral - talvez seja isso o que acontece nos desaparecimentos. Ela se afastou de novo, e evidentemente foi profundamente afetada pela experiência. Entre as muitas sensações que isso produziu nela está a de espanto, de que possamos suportar perpetuamente este aprisionamento. Ela não parece saber nada sobre a vida e morte, ou mesmo sobre a liberdade durante o sono; eu tentei explicar estas coisas para ela. Nossa vida parece irremediavelmente complexa, e ela não pode entender como podemos escolhê-la em vez da simples existência dévica - pois eles não dão a ênfase indevida sobre a "forma" como nós fazemos. Ela diz: "Ser incapaz de correr livre pelo ar, saltar à distância, disparar através de um vale, e ter de arrastar tão pesada e lentamente um corpo tão rude é pior do que a não existência". Julgando a partir do seu presente estado mental, não parece ser provável que ela seja uma das que se transferirão do reino dévico para o humano, mas devo admitir que para mim o inverso é muito tentador.

Agora recém tentei dar-lhe uma ideia sobre os Mestres; ela, traduzindo a ideia para o seu próprio reino, pensou em algum tipo de superdeva, algum Arcanjo líder de cuja existência ela parece estar consciente. Neste momento o Deva do vale apareceu por trás dela, sorrindo, maravilhoso, em toda sua radiosa beleza, e envolveu-a em sua aura, levando-a para perto de seu lado esquerdo. Isto a encheu de grande felicidade e de um senso de exaltação. Ela ficou ali só por um momento e disparou para longe, exaltada pelo contato, correndo livre como uma criatura das selvas. A relação entre eles parece assemelhar-se muito à existente entre discípulo e Mestre no reino humano.

Na mente do Deva do vale parece existir um claro conhecimento das etapas evolucionárias pelas quais passa seu reino, e antes imagino que tenha sido ele quem colocou a fada e eu em contato, talvez para educação mútua. Ele também é consciente de haver superiores, da ordem hierárquica de sua raça. Uma tentativa de entender sua concepção elevou minha consciência para os espaços extraterrestres. Hesito em descrever a visão que se seguiu porque traduzi-la parece materializá-la e rebaixá-la demais.



Vejo uma longa mesa coberta por uma toalha de luz brilhante, no centro da qual existe uma cruz. Em ambas as extremidades estão sentados grandes seres espirituais da ordem dévica. De cada extremidade parte uma linha de devas, subindo cada vez mais nos céus até que se perdem e só permanece um deslumbrante esplendor, uma radiância inefável; da mesa ascendem degraus, e os devas sobem e descem por eles. Do centro da visão há um contínuo jorro de poder, em onda após onda de cores delicadas, mas vívidas; em dourado e rosa, flui para fora e para baixo, emprestando a toda a cena uma efulgência e um esplendor que estão completamente além dos meus poderes de expressão.


Fonte: Livro O Reino Das Fadas – Geoffrey Hodson - Primeira Edição em 1927 - The Theosophical Publishing House - (Londres).



22 de abril de 2017

FADAS SUÍÇAS E SEU TRABALHO NAS FLORES SELVAGENS



Grand Salève, perto de Genebra


5 de junho de 1925


Aqui há um tipo de fadas que parece não ter a forma humana usual, mas que, embora possa ser capaz de produzir uma, aparentemente não o faz, contentando-se com uma face e uma cabeça. Ao mesmo tempo, a aura é muito mais densa onde a forma deveria existir, e a atividade ali é muito maior e diferente daquela no resto da aura; esta mostra uma contínua série de mudanças cromáticas, sugerindo uma roda girando rapidamente com faixas de cor levemente curvadas do centro para a circunferência, cruzando-se à medida que giram. Cada faixa parece ter várias cores diferentes, e ter um movimento próprio além do movimento circular geral. O movimento das faixas é um pouco parecido ao abrir e fechar de tesouras, e dá a impressão de um contínuo fluxo de cor para dentro e para fora do centro. Todas as cores do espectro estão presentes em seus tons mais suaves, e a todo momento são produzidas muitas combinações maravilhosas; esta atividade não é somente bidimensional, mas tem um efeito de pelo menos três dimensões.

Uma fada em particular que estou observando é uma criatura fascinante e charmosa; mais ainda, de modo algum ela é avessa seja à nossa companhia seja ao meu escrutínio. A face semelhante à de uma jovem camponesa muito formosa, e está continuamente entretida em sorrir do modo mais cativante. Há grande número destas fadas nas colinas, todas muito parecidas em aspecto, embora variando um pouco em expressão e na cor do cabelo. A variedade de cabelo bem escuro parece ser mais séria, e algumas delas têm uma expressão bastante imperiosa. A compleição é branca, só com um pouco de cor.



Embora possam subir alto no céu, elas permanecem na maior parte do tempo logo acima do topo das gramíneas longas, ocasionalmente descendo para uma touceira de flores selvagens. Quando o fazem, a forma de fada desaparece, e a aura se expande para incluir a planta, ou touceira, conforme o caso. De certa forma pode-se dizer que elas velam pelas plantas que cuidam, embora também as animem, de modo que elas são duplamente animadas - primeiro pela sua própria vida evoluindo, e segundo pela consciência de longe mais vívida da fada. Enquanto sua aura está assim tão expandida, percebem-se nela certos movimentos rítmicos que sugerem uma respiração. Em alguns casos a aura se estende consideravelmente além da periferia da touceira e então se contrai para um tamanho menor com um ritmo amplo e lento, mas em outros parece ser quase um frêmito, relembrando a rápida movimentação das asas de uma borboleta. Tentando tocar sua consciência enquanto ela fazia aquilo, percebo que sua ideia parece ser aproximar-se do centro da vida formadora da planta. A fada experimenta grande prazer fazendo isto, e tem a sensação de ter derramado algo de sua própria natureza e vitalidade nas flores. Quando termina ela eleva-se no ar e paira em um estado de quietude e semi repouso, enquanto sua vitalidade é renovada.

A esta altura consegui entrar mais satisfatoriamente em seu mundo. O ar contém enorme número delas, e indivíduos descem e desempenham as atividades que descrevi, enquanto outros são vistos subindo depois de as terem completado. A altura média a que sobem no ar deve ser algo em torno de 5 a 6,5 metros, embora algumas voem para muito mais alto; nos níveis mais altos há um movimento mais lateral; provavelmente nesta altitude, digamos de 350 metros, é que elas viajam. O panorama é indescritivelmente belo, e sua atmosfera é encantadora. Não consigo ver se elas têm outra ocupação qualquer além destas descritas. Sem dúvida elas estão muito ocupadas neste período do ano. Aquela que descrevi primeiro, ainda está perto de nós e, numa inspeção mais minuciosa, percebo levíssimas sugestões de braços, mas não de corpo, pernas ou asas. A porção densa da aura provavelmente tem cerca de 2,2 metros de altura.


Fonte: Livro O Reino Das Fadas – Geoffrey Hodson - Primeira Edição em 1927 - The Theosophical Publishing House - (Londres).


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O breve relato acima sobre as Fadas Suíças e seu maravilhoso trabalho com as flores selvagens reúne características comuns na maioria da Fadas existentes em Gaia, havendo variações de níveis de consciência, tamanho, formas, cores, o reino dévico é extremamente amplo, o trabalho descrito acima é um exemplo das atividades desempenhadas pelas Fadas que estão em profundo contato com a Natureza, auxiliando sempre que possível, é uma imensa alegria para elas, o prazer de servir é gratificante e está sempre presente.

Bênçãos e Luz!
Namastê!


21 de abril de 2017

FADAS DOS TREVOS E A FORMAÇÃO DE FLORES ASTRAIS



Em Cotswolds. Um campo de trevos

2 de agosto de 1925


Há um tipo de espírito da natureza aqui que pertence ao verdadeiro tipo da fada, e parece estar intimamente associado com o trevo. Tem forma feminina, usualmente cerca de noventa centímetros de altura, mas capaz de expansão até a estatura humana. Esta faculdade de expansão está sendo exercida em uma medida maior do que eu já observei antes, e é muito frequentemente usada entre os períodos de “trabalho”. Para o propósito de uma descrição mais detalhada, escolhi uma fada que se aproximou de nós e paira com seus pés logo acima dos botões do trevo. A forma é completamente coberta pela fluente túnica áurica; há uma túnica por baixo ou por dentro, verde pálida, de uma textura quase como chiffon, através da qual é vista em certos momentos a mais vaga sugestão de uma forma rosada, quando ocorrem mudanças na direção e forma do fluxo das forças áuricas. Sobre esta túnica interna, e mescladas a ela, há faixas na cor da flor do trevo, as quais, passando através da aura, aparecem sobrepostas ao verde; elas não assumem uma forma permanente, embora sugiram linhas fluindo a partir dos ombros, descendo juntas até a cintura e então se expandindo novamente à medida que fluem para os lados para as porções inferiores da aura.

Mais uma vez se mostra a capacidade de imitação, pois quando tento fazer uma observação precisa esta fada que descrevo começou a imitar o casaco austríaco que visto, usando a cor malva do trevo para fazer o casaco. Ela é muito destemida e amigável, e “paira” a cerca de um metro e meio de distância, possibilitando-me assim ver claramente que bela criatura ela é. Fluem forças de sua aura de um ponto correspondente ao plexo solar, que parece ser uma parte vital de seu “corpo”; é de cor amarela dourada, e brilha como um sol miniatura; suas radiações parecem finas linhas douradas correndo por toda a aura; partem de ambos os lados do pescoço e fluem até a margem da aura, sugerindo vagamente umas asas. Há um outro centro na cabeça, de cor branca prateada, de onde, também, irradiam-se correntes de forças – principalmente em direção ao espaço acima da cabeça; isto representa a atividade astro-mental, e está constantemente mudando de cor e forma.

A cabeça é a de uma jovem, cabelos e sobrancelhas castanho escuros, a face belamente arredondada, de aparência louçã e saudável; o cabelo é usado longo, e flui para trás e para baixo desde a testa, e se dissipa em uma corrente de força áurica; a forma dos membros não é visível através da verde túnica áurica descrita acima, mas os pés são guarnecidos de botinas delicadamente modeladas que sobem até a coxa, cujas aberturas superiores se estendem como pétalas de uma flor acima dos quadris, que parecem estar envoltos em meias verdes. As pétalas são de um tom de verde levemente mais escuro, e há um toque de amarelo em certas partes, embora sua posição seja mutável. A túnica verde a que me referi antes é muito ampla e frouxa, e sendo de uma textura extremamente diáfana, está em constante movimento, como se soprada continuamente pelo vento ligeiro. Ocasionalmente a forma central se torna inteira e claramente delineada. Sua disposição é jovial e brincalhona. Ela estende ambas as mãos diante de si, como se nos convidando a juntar-se a ela em algum jogo de fadas entre os trevos.

Agora ela faz gestos de grande beleza que se sucedem com agilidade inexcedível. Posso observar três deles. Ela começa trazendo mãos e braços juntos completamente estendidos para baixo à sua frente, as palmas se tocando, os dedos estendidos. Ambos os braços então fazem um movimento circular para os lados e para cima, pausando por um momento na altura dos ombros e se encontrando novamente bem estendidos acima da cabeça. Mantendo as mãos juntas, ela traz os braços lentamente para baixo, bem estendidos à sua frente até a primeira posição, a partir da qual ela repete o processo. Ela agora reverteu este movimento e acrescentou mais dois raios de círculo através de pausas de uma fração de segundo com os braços abertos a meio caminho entre a horizontal e a vertical. O efeito disto foi o de estimular a atividade do centro do plexo solar em tal grau que toda a aparência de túnica descrita antes desaparece, assim como toda semelhança com a forma humana dos ombros para baixo, deixando só os centros do plexo solar e da cabeça com suas radiações de forças fluentes. Ela vitalizou-se com estes gestos, que constantemente repete, e aos quais está acrescentando outros tão rápidos que é impossível acompanhá-la. Agora ele está estendendo ambos os braços – um para a frente e um para trás – formando assim novamente raios de um círculo em posições a meio caminho entre a horizontal e a vertical; mas enquanto os “raios” do primeiro exercício descrito formavam um disco achatado de frente para o espectador, estes últimos adicionam uma outra dimensão à figura, e dão os diâmetros de uma esfera completa. É interessante notar que as mãos e os dedos são mantidos completamente estendidos e que as linhas de força saem deles até uma distância de cerca de vinte centímetros, aumentando consideravelmente a beleza do efeito. A esta altura ela chegou a um estado de exaltação; ela construiu, pelo movimento de seus braços e mãos, uma esfera completa em torno de si mesma de pouco mais de dois metros e diâmetro, na qual há dois focos - um no plexo solar e um na cabeça - mantendo a mesma posição relativamente entre si e a forma esférica, como os dois focos gêmeos de uma elipse. A face e os braços ainda são discerníveis, mas toda outra sugestão de aparência humana se desfez; há simplesmente um globo de força expansiva, cuja borda é claramente definida. Além desta margem há um cinza perolado tremeluzente que também consiste de linhas de força irradiantes.

O contato com sua consciência, nesta condição, dá a sensação da mais radiante felicidade, de uma intensidade de prazer muito além de qualquer estado humano normal. Ao contrário dos espíritos da água que, tendo atingido o ápice de exaltação, imediatamente descarregam a força de que estão cheios, ela parece ser capaz de manter este estado. Agora ela está saindo da forma que criou, subindo lentamente para acima dela para um nível superior do plano astral, como que desaparecendo nele, até que a consciência, deixando o brilhante globo flutuar imóvel no ar, escapa e aparentemente retorna para a alma-grupo. A forma ainda permanece vívida, clara e radiante.

Com o intuito de experiência, dirigi uma corrente de força para dentro da esfera; ela penetrou e passou através dela sem resistência, e sem perturbar a forma, e eu tive a sensação da mesma estabilidade que se acha em um giroscópio. A forma não resiste à passagem da força através dela, mas resiste a qualquer esforço para mudar sua forma ou posição; por exemplo, eu tentei elevá-la no ar sem sucesso.



Há globos similares a este em diferentes partes do campo, e fadas, como esta descrita, com variações de tamanho, cor do cabelo e compleição. As que de fato estão trabalhando nos trevos mergulham dentro deles, imergindo no duplo astral da plantação, incluindo dentro de si mesmas uma área de 45 a 70 cm. Elas permanecem neste estado por algum tempo, então ressurgem, pairam um pouco no ar, voam para outra parte do campo, e repetem o processo. O campo tem aproximadamente dois acres de extensão, e deve haver pelo menos uma centena de fadas trabalhando nele.

Um dos efeitos de seus esforços é estimular a consciência astral daquela parte da alma-grupo vegetal que está encarnada neste campo. Parece evidente que quando uma planta atingiu o estágio de florada, a consciência animante está em seu estado mais ativo; então ela é muito responsiva ao estímulo provido pelos membros da hierarquia dévica. Pode-se quase sentir uma espécie de tensão ascendente da consciência da planta em direção à fada naquela área na qual ela está trabalhando, e certamente há um estímulo do processo evolucionário.

(Dez minutos mais tarde). O globo da fada ainda persiste. No presente eu não vejo na mente da fada qualquer propósito especial para a formação do globo; há, é claro, a alegria criativa natural na produção de um objeto belo. Sem dúvida é dado algum uso a estes globos, embora no momento eu não possa descobrir sua finalidade; talvez eles formem reservatórios de força que gradualmente é descarregada na alma-grupo vegetal.

Um grupo de fadas agora está dançando em torno do globo particular que estive descrevendo, banhando-se em sua atmosfera radiante e obtendo evidente prazer da contemplação de sua beleza. Elas fizeram um círculo completo em seu redor, e executam evoluções como as de uma dança campestre. Estas, por sua vez, estão produzindo uma forma; à medida que dançam estão construindo uma taça em forma de pétalas, na qual descansa a esfera; as pétalas sobem mais e mais, até que atingem um nível logo acima do topo da esfera, criando uma belíssima forma floral de cerca de 2,5 a 3,5 metros de diâmetro e de 2,5 metros de altura - uma espécie de flor-modelo no plano astral, uma coisa de beleza gloriosa e de proporções perfeitas. À medida que observo, as pétalas crescem ainda mais e gradualmente se fecham acima do globo. A dança e canto das fadas - eu não ouço o som, mas a partir do movimento de suas bocas e expressões de suas faces, presumo que estejam cantando - se tornam mais selvagens, como se o clímax estivesse se aproximando; elas subiram para acima do solo e continuam a circundar a forma que criaram, na altura de quase um metro, com suas cabeças jogadas para trás, seus cabelos esvoaçando, o róseo lustro de seus membros aparecendo à medida que dançam. Suas poses e gestos são belíssimos.



Durante estas evoluções, seus olhos permanecem intencionalmente fixos nas pétalas, pois para cada uma parece haver uma fada responsável. Elas estão exercitando um poder construtor de formas, em cuja aplicação elas parecem peritas; cada uma mantém intensa concentração, o olhar fixo no ponto mais extremo até onde as pétalas cresceram. Agora as pétalas pendem em curva graciosa para o centro, onde gradualmente se encontram e unem. As fadas subiram até o topo, ainda dançando e cantando, ainda com seus olhos sobre a sua obra; fizeram uma complexa forma floral, não exatamente esférica, mais estreita na base do que no topo, onde é quase plana; sua forma é singularmente bela, e as linhas das pétalas originais, embora agora todas estejam unidas em uma só, ainda são visíveis. Elas elaboraram uma concha envolvente de puro branco iridescente, tinto aqui e ali das cores verde e do cravo; através dela brilha tenuemente o globo que ela contém.

As fadas rompem seu círculo em um ponto, abrem-se em uma linha, movem-se através do campo para outro globo, em torno do qual iniciam um processo similar. Isto ocorre em diversas partes do campo onde a essência elemental está sendo modelada em formas como a primeira. Assim nascem e assim crescem as "flores" do plano astral.




Fonte: Livro O Reino Das Fadas – Geoffrey Hodson - Primeira Edição em 1927 - The Theosophical Publishing House - (Londres).


20 de abril de 2017

A LINGUAGEM COLORIDA DOS ANJOS, CONVERSAÇÃO, E A DANÇA DOS SILFOS



As formas angélicas são construídas de luz, ou antes, de um tênue material auto luminoso: para cada átomo de seus corpos, como também dos mundos em que vivem, há uma partícula radiante de luz. A sua forma é muito semelhante à nossa e de fato é construída no mesmo modelo do corpo físico humano. Como se disse antes e se mostra nas ilustrações, assim as fadas e anjos geralmente aparecem como lindos seres etéreos, de contornos semelhantes às formas humanas. Seus rostos, entretanto, apresentam uma expressão que é definidamente diferente da humana, porque estão marcados com uma impressão de energia dinâmica, de vivacidade de consciência e vida, com uma certa beleza celestial e uma expressão que raramente se encontra entre os humanos.

A aparência dos anjos é também notável à visão humana, devido à atuação da energia dentro e através de seus corpos e suas auras brilhantes. Eles podem ser considerados tanto agentes como artífices das forças fundamentais da Natureza. As forças que controlam e manipulam estão continuamente passando através deles e irradiando, produzindo, enquanto fluem, um efeito que se assemelha um tanto à aurora.

Distintos centros de força, vórtices e certas linhas de força claramente definidas, são visíveis em seus corpos. Na descarga áurica são produzidas formas definidas, as quais, algumas vezes, dão a impressão de uma coroa sobre a cabeça e de asas estendidas, de cores brilhantes e cambiantes. Os filamentos áuricos, entretanto, não são usados para o voo, porque os anjos se movem rapidamente através do ar, à vontade, com movimentos graciosos, flutuantes, e não necessitam apoios para voar. Os antigos pintores e escritores, alguns dos quais parecem ter tido vislumbres dos seres angélicos, aparentemente tomaram essas forças fluentes como sendo seus vestuários e asas, e assim os pintaram como vestidos com roupas humanas e mesmo puseram penas em suas asas.

Como seus corpos são formados de luz, cada variação no fluxo da força produz uma mudança de cor. Uma mudança de consciência é instantaneamente visível, como o é uma alteração na forma e cor de suas auras. Um transbordamento de amor, por exemplo, as cobre de um fulgor carmesim, enquanto que, como complemento, uma brilhante corrente de força amorosa, rosada, se projeta ao encontro do objeto de sua afeição. A atividade mental aparece como um jato de luz e força de cor amarela, saído da cabeça, de maneira que, frequentemente, eles aparentam como que coroados de um brilhante halo de luz — uma coroa de ouro que é o seu pensamento, engastada de muitas jóias, cada jóia uma ideia. Talvez seja esta a origem de um de seus títulos no Hinduísmo, Chifra Shikhandina, "a crista resplandecente".

Todos os fenômenos de emoção e pensamento, que denominamos subjetivos, são objetivos para os anjos, como também para os homens dotados de visão super física. Os anjos veem, pois, os processos do pensamento, emoções e aspirações, como fenômenos externos e materiais; porque eles vivem nos mundos do sentimento, pensamento e intuição, e vontade espirituais. Suas "conversas" produzem mais cores do que sons. Um sistema de simbologia é incluído em seu sistema de comunicação, símbolos e lampejos de cores sempre aparecem nos mundos super físicos, como naturais expressões do pensamento, tanto humano como angélico. O senso de unidade da Vida dos anjos é tão intenso, que cada pensamento seu expressa um aspecto da verdade fundamental da unidade. Isto dá às suas conversações coloridas uma profundidade e beleza que não se encontram na troca comum dos pensamentos humanos. São incapazes de um conceito sem propósito ou inverídico ou que falhe de algum modo em expressar aquela inerente divindade, de que nunca perdem a consciência, e que ilumina e inspira a todos os seus pensamentos e necessidades. A este respeito, sua linguagem colorida se assemelha um tanto ao antigo senzar, no qual cada letra e sílaba é a expressão de uma verdade básica. Todavia, ao contrário daquela antiga língua sacerdotal — produto de mentes profundamente inspiradas — a linguagem mental dos anjos é instintiva e natural, não necessitando esforço consciente de sua parte na escolha e manifestação da cor, forma ou símbolo.

Um anjo que na ocasião me instruiu mentalmente quanto ao seu reino, também forneceu exemplos de comunicação angélica e da operação da lei, segundo a qual a matéria super física assume forma e cor apropriadas, em resposta ao impacto do pensamento. Duas dessas instruções são aqui transcritas, de notas então tomadas. Necessito, entretanto, primeiro explicar que os arupa devas* são no mais alto grau impessoais, impassíveis, desprendidos. Sua consciência é universal e exclusivamente devotada às suas tarefas. Não estão normalmente acostumados a sentir qualquer ligação pessoal. 

Os rupa devas* associados com a evolucionante vida da Natureza, tanto quanto sei, usualmente não experimentam nem expressam a emoção do amor pessoal. Suas mentes são universais e seus "corações" pertencem à Vida Una, da qual são corporificações impessoais. Alguns rupa-devas, entretanto, podem ser encarados como encarnações das qualidades de amor, compaixão e ternura divinos por todas essas vidas, e estes sentem, de uma maneira sublimada e impessoal, um senso de unidade entre si e com o homem. Como indicam as descrições seguintes, sua força de amor pode temporariamente ser dirigida a pessoas, mas sem o mais leve traço de personalismo e posse. Certos espíritos da natureza no limiar de sua individualização no reino angélico, principalmente os associados com os elementos do ar - fadas e silfos — podem sentir-se atraídos pelo homem que possui o poder de entrar conscientemente no seu reino e de comunicar-se com eles. Sua submissão a esta atração raramente é completa, e mesmo procurando atrair o objeto de suas afeições, usualmente não concebem relações permanentes. Tais associações estreitas, mentais e emocionais, com seres humanos, podem-lhes ser úteis, mesmo que sejam muito prejudiciais ao seu parceiro humano. Para eles a consecução da individualização pode ser acelerada pela fusão de sua natureza mental e emocional com a de um ser humano individualizado, mas para o homem, tal aventura poderia conduzi-lo à insanidade.

As lendas medievais, em que silfos e outros espíritos da natureza, em seu proveito próprio procuram, e mesmo alcançam, uniões com seres humanos, são provavelmente mais alegóricas que históricas. A união física demandaria materialização da parte do silfo, o que é muitíssimo improvável, e se conseguida, muito rara. Parece ser mais provável tratar-se de uma referência velada feita ao valor evolucionário para tais espíritos da natureza de estreita associação física e colaboração com membros da família humana.

Existe uma tradição oculta de que, como uma exceção a essa impessoalidade, que é característica dos devas altamente evoluídos, íntimas ligações egóicas foram formadas com seres humanos, as quais se tornaram mesmo tão fortes que fizeram o deva procurar e obter admissão no reino humano, a fim de ficar perto do amado ser humano. Segue-se então o nascimento em corpo humano, e quando ocorre o encontro físico com o amado, em ambos se desperta um amor muito profundo. Tão forte é esta emoção, que, no caso de existirem barreiras convencionais, elas são ignoradas.

Uma conversação colorida


Enquanto descansava no jardim de meu chalé, em Gloucestershire, observei o instrutor angélico que passava a grande altura no espaço, e lancei-lhe uma saudação e um apelo mental por mais conhecimentos relativos às Hostes Angélicas. Prontamente ele interrompeu o seu "voo" e desceu a pique no jardim.

Enquanto descia, enviava uma corrente de amor, como resposta, irradiada da região de seu coração, em forma de raios de cintilante rosa e luz carmesim. Este efluxo de amor assemelhava-se a uma flor, pois os lados da forma funicular que ele produzia, eram divididas em pétalas, e no centro havia uma brilhante "rosa" dourada, que ia-se abrindo toda, gradualmente, à medida que o anjo se aproximava. Esta "flor" pulsava ritmicamente, e as linhas de forças que a compunham, tremulavam como se ele vertesse sua afeição e força-vida.

Assemelha-se a um glorioso Deus grego, em cujo peito havia uma rosa desabrochada. As radiações, semelhantes a pétalas, estendiam-se até mim, sendo o diâmetro máximo da flor cerca de oito pés. Um contínuo jogo de forças, brilhantemente coloridas em faixas de tamanhos e graus de luminosidade variados, também brilhava acima da cabeça do anjo.

Um outro anjo, de cor principalmente azul, logo apareceu, e os dois entraram na "conversa". Enquanto "falavam", suas auras se dilatavam reciprocamente, tocavam-se e afastavam-se, como asas de borboletas celestiais.

Estavam distantes cerca de 22m um do outro, e pouco acima das árvores frutíferas do pomar. A natureza fluídica de suas auras se demonstrava na facilidade com que eles as expandiam para cobrir o espaço intermediário. "Falavam" com seus corações e suas mentes, pois na matéria emocional e mental apareciam cores e símbolos, a maioria das vezes acima de suas cabeças, mas também reluzindo entre si com brilho e rapidez muito além de minha capacidade de observar plenamente e anotar com exatidão. 0 principal tema do primeiro anjo encontrava sua natural expressão através do verde suave e pálido, às vezes observado no pôr-do-sol de verão, aparecendo continuamente este matiz nas faixas de cor acima de suas cabeças, e no símbolo formado. Também tingia a maior parte de sua aura, sugerindo as qualidades de simpatia e compreensão. 

Três lindas formas, semelhantes a conchas verticais e alongadas, apareciam em seguida e pairavam no ar, acima de sua cabeça, tremulando de vida e luz. Suas cores eram rosa, amarelo e azul escuro, tendendo para o púrpura. No momento se expandiam sob a forma e aparência de grandes leques, uniam-se e entrelaçavam-se em uma grande radiação. Alternadamente se dilatando e contraindo, o simples fluxo de força se esticava pelo ar e depois desaparecia.



De seu irmão anjo isto provocava em resposta, uma perfeita labareda, semelhante a uma exibição pirotécnica. Sua primeira resposta transformou a parte superior de sua aura em três faixas coloridas, dos mesmos matizes das conchas; em seguida alongou-se e envolveu o primeiro anjo, mantendo-o assim por dois ou três segundos e depois retraindo-se. Três símbolos grandemente ampliados sob a forma de leques apareceram em seguida, sucessivamente acima dele, desaparecendo cada símbolo no ar acima, num relâmpago colorido. Um sorriso radiante iluminou a sua face, e era evidente que a observação do primeiro anjo tinha tocado alguma corda sensível de sua natureza.

O primeiro anjo me explicou então o sentido desta comunicação. O Anjo azul que fora o segundo a aparecer, possuía em si algo das forças e qualidades fundamentais do caráter inerente ao segundo, quinto e sétimo Raios. Sua vida era a expressão do mais profundo amor e do mais alto intelecto, ao passo que em sua obra revelava perfeita precisão na ação. Estas qualidades representavam o seu ideal de perfeição, e ele estava conscientemente ligado a um Arcanjo Superior no qual elas estavam plenamente desenvolvidas. Em toda a Natureza ele percebia predominantemente estes três poderes, seguia os efeitos da operação desses poderes nos membros da raça humana e as expressava em todas as suas atividades.

A fim de auxiliar os seres humanos, por exemplo, ele se unificaria com a natureza amorosa deles, aumentando o poder humano de amar adicionando-lhe sua própria afeição impessoal e universal. Ele auxiliaria os cientistas estimulando-lhes os poderes mentais pelo aumento de sua capacidade de abstração profunda, e se esforçaria por iluminar suas mentes com a solução de quaisquer problemas que estivessem procurando resolver. Ajudaria artistas, atores, dançarinos e cerimonialistas a atingirem maior perfeição, graça e beleza de execução e de mais acurada expressão de ideia inspiradora de sua arte. Da mesma maneira auxiliaria seus irmãos anjos e a vida evolucionante nos reinos sub humanos da Natureza. Em todas as suas atividades estas três características predominariam, constituindo o fundamento de sua vida e a fonte de sua inspiração.

O primeiro anjo, com profunda e intuitiva simpatia, discerniu este fato e mentalmente expressou os ideais de seu irmão anjo com toda a perfeição e plenitude de que foi capaz, e por esse meio produziu as três formas semelhantes a conchas nas cores típicas dos três Raios. O segundo anjo respondeu fazendo brilhar sucessivamente em forma de leque, muito ampliadas, as três qualidades altamente evoluídas de sua natureza.

Ainda que extenso, este relato é uma descrição muito incompleta do intercâmbio de pensamentos e sentimentos entre os anjos, o qual, provavelmente, não durou mais que um minuto. O uso da palavra "Raio", não exprime devidamente o conceito na mente do anjo; ele provavelmente o denominaria um aspecto da Vida e Consciência Divinas, que é projetado como uma língua de fogo do ígneo coração central de todas as coisas, ou uma corrente de energia vital especialmente sintonizada e que interpenetra o universo. Estas concepções estavam incluídas em cada um dos símbolos em forma de concha, que — é preciso notar — são representações adequadas da ideia fundamental. A ponta da concha estaria na fonte principal da força, que à medida que fluía, se ampliava na forma de leque.

Cada um destes símbolos era formado de linhas radiantes de força, cujo número não pude contar, embora, sem dúvida, isto também tivesse a sua significação. À medida que todo o símbolo tomava formato, as linhas de força se entrecruzavam e entrelaçavam até formar uma ampla e espraiante corrente dos três tipos de energia. Cada corrente, entretanto, podia ainda ser notada, porque mantinha sua própria forma e cor, a despeito do entrançamento. O efeito combinado destes três aspectos da Vida operando em e através do segundo anjo e da Natureza, era, com muito maior propriedade, retratada por esta forma semelhante a uma concha.

A seguir explicou o anjo que, além desta linguagem colorida, há um intercâmbio direto de ideias nos níveis mentais. As cores e símbolos são largamente produzidos por este intercâmbio, embora possam ser usadas como ilustrações e elucidações da ideia central.

A Dança dos Silfos

 
As alturas aéreas no distrito de Gloucestershire, onde estes ensinos foram recebidos, estão povoadas de várias ordens de espíritos da natureza, e principalmente silfos em diferentes graus de desenvolvimento. O instrutor angélico referido na descrição precedente, permanecendo ainda perto do solo, volveu sua atenção para o alto, abriu seus braços para o céu, emitiu um chamado, que teve o efeito de trazer numerosos silfos até o jardim onde me encontrava sentado. À medida que desciam, agrupavam-se, e suas auras fundidas produziam o efeito de viventes e nevoentas formas sílficas, na maioria cor-de-rosa e brilhantemente auto luminosas. Trouxeram consigo uma atmosfera de superabundante alegria, como um grupo de crianças mais velhas subitamente libertas da escola, embora no seu caso tivesse ocorrido o oposto, pois o anjo os chamara da liberdade das alturas para servir de temas para a educação humana.

A convocação consistia de uma forte e altamente concentrada corrente de força-vontade revestida de matéria mental, um pensamento-vontade, um "grito" mental, por assim dizer. Na parte superior da aura do anjo, algumas pequenas formas cênicas brilhavam no ar, com a ponta para cima; a coloração principal era rósea, se bem que as pontas fossem em azul metálico. Cada uma "golpeava" um silfo, chamando sua atenção e transmitindo uma ordem, em resposta à qual ele descia. O anjo era tão superior a eles em evolução que uma expressão de seu pensamento e vontade equivalia a uma ordem.

O anjo sorriu para eles e raios róseos de amor brilharam dos silfos para o anjo, cada um obtendo imediata resposta dele e sua aura tomando um colorido rosa luminoso. Ele estendeu sua aura lateralmente em duas radiações semelhantes a asas, e depois estas até envolverem e ultrapassarem o grupo de silfos, que eram assim acionados pelas energias áuricas vívidas e luminosas do anjo. Com estas "asas" áuricas ele manteve um movimento contínuo, gracioso, amplo e oscilante para frente e para trás, entre ele e os silfos, cada batida das "asas" vertendo-lhes mais vida e amor e enchendo-os de intensa alegria, até que seu estado se tornou de enlevo (sensação de êxtase, deleite).

Eles manifestavam, um ao outro, imensa afeição recíproca, estando muitos deles "eretos", com os braços abertos para se apoiarem uns sobre os outros.

Terminadas estas felicitações, iniciou-se um movimento coordenado em que todos estavam ligados dessa maneira, dispondo-se todo o grupo em fileiras circulares, na forma de uma flor convolvulácea. Um silfo formava o centro; três formavam um círculo em volta dele, todos voltados para o centro; os restantes formaram círculos sobre círculos, cada um mais amplo que o precedente, o conjunto brilhando, luzindo com luz rósea, dentro da qual as cores naturais de suas auras se assemelhavam às mutáveis nuances de uma opala. Então toda a "flor" começou a girar, os silfos movendo-se todos juntos e mantendo com perfeição a forma convolvulácea da flor.

Em suas faces estampava-se uma expressão de prazer, com seus longos "cabelos" flutuando atrás deles e suas brilhantes vestimentas áuricas misturando-se numa expressão de sua perfeita unidade de sentimento e pensamento. Eles giravam com crescente rapidez, até que o anjo deu o sinal de parada, levantando a mão direita acima de sua cabeça. Então todo o grupo, ainda girando e mantendo a formação em flor, elevou-se para os céus, depois do que cada círculo foi-se abrindo numa fileira e se fragmentou em grupos de dois e três silfos.
Ainda rodando e subindo, a forma da flor criada na matéria super física por esta dança aérea, permaneceu brilhando nos céus. Pouco após, como que percebendo isto e animados por uma nova ideia, os silfos reorganizaram-se em um grande círculo em volta da "flor" e por pensamento unido construíram uma esfera fechada, permanecendo aberta no topo, correntes de energia fluindo pelo interior da forma para diluir-se no ar em cima.

Uma certa despreocupação tornou-se agora manifesta no movimento dos silfos, que continuaram a girar com extrema rapidez ao redor da forma da flor. Suas cabeças estavam inclinadas para trás e seus corpos curvados para fora do círculo.

Finalmente se dispersaram, emitindo ao anjo, de relance, pensamentos de amor que caíram sobre ele como uma chama de cones carmesins. Estes penetraram em sua aura, dentro da qual fluíram por algum tempo com brilho róseo.

A forma da flor foi evidentemente criada como uma oferenda, e a dança como uma expressão de amor, unidade e alegria, realizada em honra do anjo que os convocara, a quem retribuíram a cortesia construindo a forma circundante na cor predominante em sua aura (rosa). Um sorriso iluminava sua face, quando se volveu para mim em um gesto de adeus, e depois desapareceu.

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*Rupa/Arupa - em sânscrito significa com forma ou sem forma, referindo-se aos níveis respectivamente abaixo e acima do quarto sub plano do plano mental. No primeiro (rupa), a tendência para assumir forma prepondera sobre o ritmo, e no segundo (arupa) prepondera o ritmo ou livre fluxo de vida. Os Anjos dos planos rupa apresentam mais definidamente à consciência humana a ideia de forma corpórea do que os dos níveis arupa.



Fonte: Livro O Reino dos Deuses – Geoffrey Hodson. EDITORA PENSAMENTO - São Paulo.

Título do original inglês: The Kingdom of the Gods - Theosophical Publishing House, Adyar, Madras 6000 20, Índia.