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19 de maio de 2017

OS CICLONES E OS DEVAS





Quando eu estava em Miami, na Flórida, dois ciclones rugiram sucessivamente por aquele Estado, durante os anos 20. Naquele momento, pedi ao anjo do mar que descrevesse o acontecimento. Ele o fez, comunicando-me um grande número de quadros mentais combinados com sensações. Há uma única dificuldade na comunicação com um anjo. O que ele considera uma ideia é para nós vinte, e assim levamos muito tempo para assimilar o que ele quer exprimir. Logo ficamos confusos, porque estamos atrasados em relação a ele ao apreender suas ideias. O espetáculo começava com a Baía de Biscaia (sua região) linda sob um céu ensolarado, em paz tropical. O anjo e suas fadas se desincumbiam de suas tarefas comuns diárias, serena e alegremente. Isto foi um ou dois dias antes da chegada do ciclone.

Devo explicar que existe uma hierarquia de anjos ou devas em geral e, neste caso, de anjos do mar. Os vizinhos próximos do anjo da Baía são seus iguais e colegas. Mas, acima de todos estes, e supervisionando uma vasta extensão do mar, há um ser maior. Como já descrevi anteriormente, em cada território governado por anjos – como aquele que habita a Baía – há um vórtice que é a sede principal da consciência do anjo. Este centro fica num local particular e pode ser considerado como o coração dessa área. Há vórtices semelhantes no ar, não tão numerosos, que servem aos anjos do ar de igual maneira. É a descarga de energia e antagonismo entre um vórtice do ar e um vórtice do mar que resulta em várias espécies de tempestades. Portanto, há uma constante troca de energias entre os devas do mar, os do ar e assim por diante.

Na verdade, todo o equilíbrio das energias da natureza está na manutenção desse exército. Seus corpos são a sede e indicam o fluir e a descarga da energia. Um certo número de anjos exaltados – provavelmente pequeno – dirige o curso da natureza dessa maneira, por todo o mundo, mantendo a força da natureza em equilíbrio. Nosso amigo, o anjo da Baía de Biscaia, é assim uma unidade nessa vasta rede de seres superiores e “inferiores”. Os que pertencem às fileiras mais elevadas, por serem os agentes imediatos, têm o poder de planejar o futuro com muita antecedência e de conhecer os acontecimentos da mais minuciosa qualidade, fato que os homens sempre atribuíram a Deus. Na verdade, eles “decidem até a morte de um pardal”.

Por vezes, parece haver excessiva energia concentrada, , digamos, na zona tropical, e torna-se necessário libertá-la. Disso resulta um ciclone ou qualquer outra irrupção de energia da natureza. Entretanto, isso não ocorre cega ou ocasionalmente, mas segundo uma esplêndida ordem que descreverei a seguir, voltando ao caso particular do vento que assolou Miami. Devo enfatizar que estou falando do ponto de vista de um anjo do mar e segundo sua apreciação especial, e que a descrição seguinte dos preparativos e da realização do evento resultam da forma como compreendi a sua narrativa.

Os grandes anjos, que mantém as energias da natureza em equilíbrio, decidiram que deveria haver uma descarga de energia na região coberta pelo ciclone. Eles indicaram o ponto de partida e o território geral, e depois designaram um anjo para dirigir a tempestade, preparar seus detalhes e levá-la até o fim. O início foi determinado pelo fato de que num certo ponto havia algo fora de equilíbrio, que requeria imediata atenção. O próprio anjo do ciclone, escolhido para a tarefa, tem cerca de vinte pés de altura (6 metros), e poderíamos pensar que ele está envolto em relâmpagos, vestido com elementos de eletricidade. Podemos imaginá-lo como a imagem de Zeus e seus trovões, descrito na mitologia grega. Ele tem um rosto vigoroso, com brilhantes olhos cinzentos e cabelo claro, visão magnífica, que confere uma sensação de temor na presença de tanto poder. Esses anjos da tempestade são raros, pois não pertencem a nenhuma região em especial, mas viajam por toda a terra com as tempestades. São altamente desenvolvidos e têm perfeita clareza e firmeza de visão, de precisão matemática. O anjo da Baía de Biscaia também “tem medo” deles, o que deixou bem para mim. O anjo do ciclone por selecionar um par de anjos para ajudá-lo em sua tarefa; estes são meio parecidos com ele, mas menores e não têm o mesmo grau de desenvolvimento. Além destes, alguns outros anjos o acompanharam como colegas. A estes eu posso chamar de anjos da vida e da morte, pois seguiam com o anjo do ciclone a fim de supervisionar o aspecto humano da tempestade. Por assim dizer, os efeitos do furacão sobre a humanidade.



Como eu disse anteriormente, o anjo da Baía recebera o aviso informal de que tal evento estava iminente e sua descrição da discussão entre os anjos à sua volta foi um tanto divertida. Ele me mostrou anjos falando ao mesmo tempo sobre o tufão que se formava e procurando imaginar de que maneira isso afetaria cada um deles. O anjo da Baía tem um profundo senso artístico e um certo humor parecido com o humor irlandês, e suas descrições dessas conferências de fofocas eram deliciosamente pitorescas e cheias de vida.

Mas a notificação oficial não podia ser mais impressionante. O anjo do furacão primeiro advertiu os anjos do ar e do mar que estavam localizados no ponto de origem da tempestade. Deu-lhes instruções para que preparassem a tempestade reunindo suas forças e para que estivessem prontos para descarregá-las quando chegasse o momento.

Deu-lhes um horário definido, que fixou para algumas horas antes; e com esta ordem aos anjos sobre o momento do início, enviou uma onda de notificações para os anjos/devas localizados ao longo da região por onde o furacão deveria passar, região que ele e seus colegas finalmente haviam determinado. Isso foi realizado através da comunicação passada pelos anjos desde o ponto de partida a seus vizinhos logo à frente, e assim por diante, até que finalmente nosso anjo da Baía recebeu o aviso definido do quartel-general. Ele imediatamente começou seus preparativos, sob a supervisão geral de seus superiores territoriais, pois o aviso oficial chegaria dentro de poucas horas. Convocou uma reunião em massa de suas fadas e explicou-lhes o que ia acontecer, até o ponto que pudessem compreender. Então começou a extrair poder de seu vórtice, acumulando energia. Sua posição no todo era importante, pois estava à beira da terra.

Os vizinhos do mar enviaram-lhe energia. À medida que se aproximava a hora do furacão, ele ia aumentando seus preparativos, acionando-os cada vez mais até um máximo de intensidade, com poder crescente. Vamos deixá-lo por um momento. E voltemos ao ponto de origem da tempestade.
Na hora determinada, o anjo do furacão apareceu junto com sua companhia. Então enviou uma chamada, assemelhando-se muito ao chamado de trombeta para uma batalha. Ao ouvir esse som, uma espécie de choque percorreu a linha de anjos selecionados desde o ponto de partida do furacão, ao longo do caminho até o seu ponto terminal. Todos os anjos nessa linha ficaram interligados, absorvidos pela consciência do anjo do ciclone. São fadas especiais da tempestade, da ordem do ar, e um segundo efeito de seu toque de trombeta foi que centenas delas acorreram, vindas de todos os pontos. E com essa chamada o anjo descarregou energia no percurso designado para a tempestade, contribuindo pessoalmente para isso.

Tudo foi imediatamente acompanhado por uma descarga do excesso de energia dos anjos do ar e da água no ponto de origem. E então, como imensa bola de chama cheia de uma tropa de anjos e fadas, tudo centralizado ao redor do anjo do furacão, o ciclone irrompeu na ordem predeterminada. À medida que se aproximava de cada vórtice de ar e água, os preparativos locais iam chegando a um clímax, e com a chegada do anjo do furacão essas reservas da energia local do vórtice eram descarregadas no centro da tempestade, que se dirigia para o vórtice seguinte, mais forte e mais poderosa do que antes.

As fadas que trabalham sob as ordens do anjo da Baía de Biscaia também contribuíram com o seu esforço. Tudo aquilo era um divertimento para elas; jogavam-se no ar quando o centro do furacão entrava em seu vórtice, e tentavam, brincando, pendurar-se na tempestade e viajar com ela, contribuindo com suas pequenas quotas de energia e dando cambalhotas de volta para a água. Algumas conseguiram viajar mais do que outras e só conseguiram voltar a seus lugares habituais depois de algum tempo. É claro que depois da tempestade, havia muito trabalho extra a ser feito, mas elas gostavam muito do estímulo e das sensações geradas pelo furacão.

Quando o furacão atingiu nosso anjo da Baía, ele já estava pronto. Seu papel específico era reunir suas forças, tal como aqui foi descrito anteriormente; estava não era sua única tarefa, pois o furacão, a esta altura, precisava descarregar sua energia sobre a terra. Quando o anjo do furacão chegou, a tremenda descarga de forças envolvidas no encontro marítimo foi momentaneamente esmagadora e, sendo repelida pela fileira do litoral, produziu tal choque que toda a organização do anjo da Baía ficou, por momentos, rompida. As fadas sabiam que isso ia acontecer e andavam na ponta dos pés, ansiosas para que a tempestade as atingisse; no entanto, quando chegou o momento, o impacto foi tão forte que elas foram atiradas para trás, para fora do caminho do furacão. Elas se recuperaram rapidamente e se incorporaram à tempestade, lançando nela sua energia e acompanhando os distúrbios à medida que estes se abatiam sobre a terra.

O anjo de terra do litoral de Miami, é claro, também sabia da iminência da tempestade, mas sua parte era passiva, pois nada podia fazer para impedir aquele acontecimento e compreendia que seu destino era aceitar o que o “ameaçava”. Não gostava especialmente disso, tal como os anjos da terra, é claro, não gostam da destruição de plantas e árvores; além do mais, neste caso, estavam envolvidos também os seres humanos. É bom lembrar que, enquanto uma tempestade faz furor no oceano e o deixa virtualmente sem prejuízos, na terra ela faz muitos estragos; são necessários tempo e cuidado para que as plantas a vida em geral recuperem seu desenvolvimento. Assim, quando a tempestade atingiu a terra, o anjo do furacão teve especial cuidado em dirigir seu trabalho, porque tantas formas de vida mais complicadas que as suas estavam envolvidas. Os anjos da vida e da morte, que o acompanhavam, tomaram nota do que devia ser feito e de sua parte no trabalho, na medida em que o furacão cobrou o seu quinhão de vidas humanas. Parece incrível, a não ser que o observemos por dentro, que no meio desse turbilhão reine a ordem; entretanto, devemos nos lembrar de que não só o anjo do furacão é um personagem de magnífica inteligência, mas que a cooperação, a organização e a ordem são exatamente os aspectos em que as hostes angélicas excelem. Naturalmente, o anjo da terra tentou salvar quando pôde do que estava sob a sua responsabilidade, sobretudo plantas e animais. Nisso, suas fadas cooperaram muito com ele, saltando sobre um cavalo perdido aqui e um pássaro ocasional ali, e de súbito reforçando seus instintos de modo que eles puseram a salvo com uma demonstração de inteligência que não lhes é comum.

No caso das árvores, o anjo da área Miami proporcionou fortes ondas de resistência às pessoas assim como às suas fadas. Esse anjo é um ser alto, calmo e sua existência é marcada pelo prazer de viver, pois a região sob seus cuidados e o seu clima o encorajam a isso. Ele tem um sentimento de simpatia para com Miami, porque aprecia o fato de seu desenvolvimento significar, indiretamente, mais fazendas e pomares de frutas, tudo o que representa vida e experiência para si e para suas fadas. Ele não gosta da febre de um crescimento rápido e exagerado, sem controle no desenvolvimento da terra, porque isso significa a destruição arbitrária do solo, fato que, como a inútil destruição de florestas no Noroeste, é mal visto. Os anjos não se aborrecem com a inteligente diminuição das florestas, pois isso representa um experimento construtivo, que contribui para a vida do todo, por mais que a árvore, individualmente, possa sofrer com esse fato. O furacão foi para o anjo de Miami algo situado entre a total e nada inteligente destruição feita pela humanidade e a organizada modificação da natureza. Mas ele o aceitou com naturalidade, pois provinha de seus superiores.

As fadas do mar, por estarem com uma carga tão excessiva em seu poder, atiravam-se ao solo; a perturbação física que acompanhou esse choque assolou regiões inteiras em alguns lugares e empilhou areia e resíduos por toda parte. Por isso, as fadas do mar tiveram um acúmulo de trabalho para fazer. Devemos admitir que elas se divertiram com isso, pois era coisa nova para elas. Quero dizer que, em alguns lugares, elas teriam mais trabalho a fazer que em outros, de modo que tudo era novidade.

Enquanto durou o furacão, as fadas do mar foram carregadas para a terra, tendo algumas penetrado várias milhas longe do litoral, fato incomum que elas, naturalmente, consideram uma experiência nova. Após algumas horas, elas foram voltando, na medida em que a tempestade deixou Miami em seu ímpeto dirigindo-se para o interior e o mar começou a acalmar-se, voltando a seu estado normal. Durante alguns dias, as fadas se atarefaram reconstruindo suas linhas de comunicação e recuperando-se, mas muitas delas foram para o litoral a fim de auxiliar o anjo da terra a renovar o trabalho de desenvolvimento. O anjo de Miami ficou de certo modo esgotado de suas energias; assim, as fadas, bondosamente, cooperaram ao máximo, pois na verdade, elas preferem que tudo seja normal, ainda que fiquem emocionadas enquanto a tempestade perdura.

O furacão prosseguiu à sua maneira prevista e lentamente se esvaziou; enquanto diminuía, o anjo da tempestade o deixou com suas fadas da tempestade, até o momento futuro em que seus serviços serão novamente solicitados em algum lugar. Aos poucos, tudo voltou ao normal ao longo do percurso do furacão, apesar de, claro, serem necessários alguns anos para recuperar todos os estragos.

Os seres humanos pensarão inevitavelmente que as fadas da água, os anjos do mar e, sobretudo, o anjo do furacão são mesmo maus e nocivos, porque só pensam em destruir a vida. Mas não é assim. Eles destruíram formas de vida, mas não destruíram a vida dentro das formas, pois a vida nunca morre. Além do mais, esses seres realizaram sua função de acordo com a lei natural.

Os homens destroem as propriedades, uma após outra, assim como toda a face da natureza em tempos de guerra ou por ganância de lucro pessoal; por isso, transferem para a natureza seus próprios pontos de vista. Mas a natureza não tem motivos pessoais. Toda essa destruição é realizada de forma impessoal e, mesmo, é estranho dizer, com um sentimento de Amor, porque as hostes de anjos e fadas nunca desejam matar o que quer que seja e procuram salvar o máximo possível.

Como isso é diferente da guerra, em que se procura destruir tudo! Mas os anjos têm de obedecer à lei da natureza, quer queiram quer não. Esta é a sua tarefa; esta é a própria essência de sua natureza. Além disso, eles não consideram a morte como algo desconhecido, terrível e final, como alguns de nós. Para eles, a morte é apenas a destruição da forma; a vida nunca se esgota quando volta à sua fonte e essência. Ela voltará sob outra forma e, assim, terá uma nova experiência neste mundo, e a experiência é a chave-mestra de tudo.



Fonte: Livro O mundo real das Fadas – Dora Van Gelder. Editora PENSAMENTO. São Paulo. Tradução: Isa Silveira Leal. Título original em inglês: The Real World of Fairies.

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Quando ocorrem eventos naturais de grande magnitude, como Furacões, Terremotos, Tsunamis, Erupções vulcânicas, grandes tempestades, etc, é uma forma de expressão da Natureza, desses Seres, de nos avisar que algo ali está sendo limpo, restaurado e transmutado, com Amor e Alegria, sempre há um propósito maior; são diversos trabalhos desse porte a pedido de consciências superiores, as altas esferas de Luz e de Gaia.

Mantende-vos em paz, quando verdes aparente injustiça. Mantende-vos em paz, quando verdes corrupção. Mantende-vos em paz se verdes mares subindo. Em qualquer situação, mantende-vos em paz...” – SaLuSa



Bênçãos!

Namastê!


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