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29 de janeiro de 2018

RELATO - "NOSSA SENHORA E A MATERNIDADE HUMANA"




No decurso de alguns estudos do processo pré-natal de encarnação, recentemente empreendidos, fiquei muito impressionado pela parte importante que os devas têm na construção dos corpos sutis e físico. O caso particular que estive observando de perto, desde o quarto até o nono mês, pode ter sido um pouco incomum, já que me pareceu que o Ego que retornava era particularmente avançado e poderia estar recebendo assistência especial, pois que, em acréscimo, ambos os pais são firmemente estabelecidos no conhecimento e fé teosóficos. Não obstante, fico inclinado que muito do que deverei tentar descrever tem aplicação geral. Quando, com estudo adicional, nosso conhecimento do assunto aumentar, espero que um relato bem mais detalhado possa ser divulgado em forma de livro.

Todo o complicado processo de assumir corpos de matéria mental, astral, etérica e física, no caso examinado, pareceu estar sob a supervisão de um deva no nível Causal ou Arupa; debaixo dele estavam seus subordinados mental e astral, enquanto que nos estágios etérico e físico sólido o trabalho de construção do corpo foi parcialmente levado a cabo por espíritos da natureza, sob o controle do deva astral.

A função do deva astral parece ser largamente a de proteger e supervisionar: ele recebe informações do deva arupa sobre o resultado a ser atingido e sobre a quantidade de Karma que lhe é necessário levar em conta, então a matéria é sob seu cuidado assimilada para dentro do corpo astral. Seu irmão no nível mental está em uma situação exatamente similar.

Repetidamente, durante as diversas observações, se tornou aparente o extremo cuidado, concentração e senso de responsabilidade com que os devas trabalham. O deva astral, por exemplo, freqüentemente envolvia os corpos astral e físico do embrião dentro de si mesmo, protegendo-o de vibrações danosas e afastando influências desarmoniosas.
Além disso, ele continuamente tentava compartilhar de sua vívida vida dévica com a criança, derramando sua força pessoal nos corpos sutis e vigiando-os perpetuamente.

Enquanto o observava trabalhando e tentava penetrar em sua consciência, durante o nono mês, pareceu como se ele de fato reverenciasse os corpos em crescimento, tão grande era o cuidado e ternura com que procedia ao seu trabalho; foi nesta altura que um novo fenômeno atraiu minha atenção. Eu vi que a aura do deva havia mudado durante o último mês; era conformada de modo a parecer um formoso manto azul lançado sobre sua cabeça e ombros, com uma das pontas cobrindo também a mãe e a criança; neste estágio a aura da criança estava largamente inclusa na do deva e se parecia a um grande ovo branco resplandecente, de cerca de 1,2 metros de altura, brilhando através das auras do deva e da mãe.


O manto azul brilhava muito mais, com um tom prateado, e a cabeça do deva se inclinava sobre ambos e seus braços os abraçavam, e o efeito lembrava irresistivelmente uma Madonna e seu filho.

Havia uma tão profunda ternura, um tal espírito maternal de amor e alegria e proteção, que fiquei profundamente tocado pela visão; procurando entendê-la mais profundamente e detectar a fonte desta forma e cor recentemente introduzidas, vi minha consciência ser elevada até o nível causal por algum poder que me atraiu e manteve nestas altitudes a que não estou acostumado, e lá eu vi Alguém tão adorável, tão verdadeiramente encarnando o espírito da Maternidade, do estado Feminil, que soube que Ela era ninguém menos do que a própria Mãe Bendita.

Ela é radiante e formosa além de toda descrição. Ela fulge com toda a glória da divindade, embora Sua “forma” seja a de uma mocinha; através de seus olhos deslumbrantes brilha uma felicidade luminosa, uma beatitude quase extática, a qual, a despeito de sua exaltação e intensidade sobre-humanas, é cheia da alegria das crianças, estranhamente combinada com o profundo contentamento da maturidade humana.

Naquele nível eu percebi que os devas vistos antes eram Seus representantes e que à medida que se aproximava mais o dia do nascimento, daquele modo Ela se aproximava cada vez mais, através de Seus mensageiros, da mãe e da criança.

Este toque íntimo gradualmente transformou a aparência do deva astral, que imitou tanto Sua aparência que em verdade ele se tornou o anjo de Sua presença. Lembrei da declaração de que assim como Nosso Senhor está presente através do Anjo de Sua Presença em todas as ocasiões quando se celebra a Santa Eucaristia, do mesmo modo Santa Maria está presente ao lado de toda mãe no sacramento do nascimento.

Ele chega tão perto que ela realmente perece compartilhar de todas as dores do nascimento, bem como de todas as alegrias da maternidade; de fato, acredito que Ela deliberadamente se unifique com as mulheres do mundo, sofrendo com elas todas as suas dores, e mesmo sua vergonha e degradação, a fim de que Ela possa mais verdadeiramente compartilhar com elas Sua própria realização divina, Seu poder maravilhoso, Seu amor todo-abarcante. Assim eu imagino que Ela experimente com ela todas as alegrias do primeiro amor, a juvenil beleza do despertar da feminilidade, assim como a profunda felicidade da maturidade, as alegrias da esposa e da mãe.

Tudo isso Ela resume em Si mesma até a perfeição, e, da abundância de Seu poder e conhecimento, Ela derrama-se continuamente sobre as mulheres do mundo.

Sua influência deve aumentar o poder, a profundidade e a beleza do amor da moça por seu homem, deve dar coragem e perseverança à esposa nas horas de seu sofrimento e provação e aumentar enormemente o valor para o Ego destas expansões de consciência, estas profundas mudanças na alma que sucedem a toda mulher, em algum grau, quando ela entra no vale da sombra da morte para que a criança possa nascer.

Ela busca a perfeição do indivíduo assim como a da raça, e Ela trabalha para isso através da mulher, procurando exaltar o matrimônio e a maternidade, devolver ao homem os ideais perdidos da profundamente sagrada natureza do matrimônio e da paternidade. Ela sabe que assim nascerá uma raça mais pura, uma raça que deve dar corpos cada vez mais adequados para serem templos do Deus interior.

Nesta atmosfera maravilhosa e benéfica nos planos internos acontecem os processos de encarnação; sinto que cabe a nós prover as condições no mundo físico que sejam dignas da bênção sacrifical tão livre e maravilhosamente derramada por Nossa Senhora, a Rainha dos Anjos, a Mãe do Mundo.

Fonte: Livro O Reino Das Fadas – Geoffrey Hodson - Primeira Edição em 1927 - The Theosophical Publishing House - (Londres).


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